quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pernambuco - Orquestra Contemporânea de Olinda (show)


Orquestra de Olinda virada no Recife   
No primeiro dia da Virada Multicultural na capital Pernambucana, os músicos tocam para praça cheia no Marco Zero e botam todo mundo para dançar

Por Julia Magnoni

Parte da multidão esperava ansiosa há algumas horas. Embora não fosse a atração principal da noite de 14 de outubro, o show da Orquestra Contemporânea de Olinda era aguardado com grande expectativa. Os fãs, sempre fiéis, não cansavam dos shows animados. Outra parte dos espectadores – aqueles que conheciam apenas algumas músicas, outros que nunca ouviram falar do grupo – se mostravam interessados em continuar com a noite divertida, que começara com apresentações de Siba, Karynna Spinelli e Clube do Samba, entre outros. 

O motivo para tantas pessoas reunidas: a Virada Multicultural do Recife. Com a proposta de valorizar artistas nordestinos, o festival reuniu músicos de toda a região, além de escritores, pintores e cineastas na capital pernambucana. Inspirado na Virada Cultural paulista, que chegou à sétima edição, o evento teve duração de três dias (14 a 16 de outubro). Na primeira edição, os shows foram divididos em diversos pólos. O palco principal, montado no Marco Zero, bairro do Recife, foi o escolhido para abrigar os maiores nomes do festival.

Com um atraso mínimo, devido a pequenos imprevistos nas apresentações anteriores, a Orquestra Contemporânea de Olinda entrou no palco. Os músicos cumprimentaram o público, jogaram um pouco de conversa fora e logo engataram a primeira música. O show começou com o hit local “Ladeira”, música do primeiro (e até então único) disco do grupo, seguida por “Balcão da Venda”.  No repertório, canções festivas como “O Canto da Sereia”, “Brigitti” e “Joga do Peito”, que animaram a platéia sob o ritmo dos bongôs de Gilú e dos trombones da orquestra de frevo. A voz do cantor Tiné, tão diferente do que se escuta no cenário musical atual, trazia um senso de familiaridade ao show. Quem já ouviu, entende. A Orquestra Contemporânea é caracterizada não apenas pela parte instrumental, mas também pelo timbre de Tiné, assumidamente influenciado pelo coco - folguedo de sua cidade natal, Arcoverde (para os que ainda não conhecem, nada melhor do que entrar no Myspace do grupo e escutar gratuitamente o disco!).

O concerto contou ainda com participação especial do cantor Expedito Baracho. Irreverente, Expedito subiu ao palco bastante à vontade, saudou a plateia, apertou as mãos de todos os músicos e entrou no espírito do show, dançando e fazendo brincadeiras durante todo o tempo que se apresentou.  O público teve o prazer de ouvir “Trombone de Prata”, frevo do pernambucano Capiba que fora gravado pela primeira vez na voz no próprio Expedito na década de 1960. Após se ausentar do palco durante alguns instantes, Expedito voltou e ajudou a finalizar do show da Orquestra. Atendendo aos pedidos do público, entraram em versão acelerada da música “Tá Falado”, canção elogiada por críticos internacionais do New York Times, acabando o show com chave de ouro, já deixando o público aquecido para a atração seguinte: Nação Zumbi.

Background

A Orquestra Contemporânea de Olinda, apesar de recente no cenário musical, está longe de ser composta por músicos amadores. Idealizada pelo percussionista Gilú, a banda conta com alguns dos melhores músicos do cenário pernambucano, inclusive membros quinquagenários da Orquestra de Frevo do Estado. O baixo, guitarra e bateria se unem aos instrumentos de sopro, resultando em um mix de ritmos, que vão desde os grooves latinos, passando por batidas tipicamente pernambucanas e incorporando-se aos beats africanos. Cada um dos membros traz um background diferente ao grupo, desde trabalhos populares com côco, maracatu e cirandas à formação erudita do Conservatório Pernambucano de Música. A mistura de influências é um aspecto claro do trabalho do grupo, cujo álbum de estreia conta com 10 músicas de autoria própria. 

Indicada ao Grammy Latino 2009 na categoria de “Melhor Álbum de Música Regional Brasileira”, finalista da categoria regional do Prêmio da Música Brasileira 2009, destaque como o grupo que mais circulou pelo país e formou público durante sua trajetória, vendedora de mais de cinco mil discos em apenas um ano e indicada pelo New York Times como novo hit da música internacional, está claro que a Orquestra Contemporânea de Olinda construiu identidade própria e bem definida tanto nos palcos brasileiros quanto internacionais, inovando no cenário musical pernambucano e levando na bagagem um gosto de coisa do passado.

Artista: Orquestra Contemporânea de Olinda
Onde e quando: Na virada Multicultural do Recife, Recife Antigo, no dia 14 de outubro

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