Entrando no Horizonte Vertical
Show do cantor no Sesc Pompéia, em São Paulo, marca o lançamento de seu novo álbum “Horizonte Vertical”.
Por Julia Magnoni
Acompanhado pelos músicos Henrique Matheus (guitarra e violão), Gerson Barral (teclados), Robinson Santos (bateria) e Renato Valente (baixo elétrico), o tímido cantor entra ao palco. Apresentando-se em carreia solo há quase 40 anos e autor de 14 discos, Lô Borges não é nenhum iniciante. Aos 19 anos, ajudou a fundar, com Milton Nascimento, o grupo musical mineiro Clube da Esquina, autores de dois discos que levam o mesmo nome da banda. Desde então, Lô se apresenta ao público brasileiro.
A rotina de entrada ao palco é a mesma que a de tantos outros cantores: caminha calmamente até o centro, apanha seu violão, dá uma olhada para os músicos e engata a primeira canção – Trem de Doido. A composição, original do primeiro disco Clube da Esquina, é o suficiente para fazer com que o público – quase 800 pessoas – embarque em uma viagem nostálgica. Até os que nem vivos eram na época em que as canções foram lançadas sobem neste trem e cantarolam juntos aos versos da “noite azul, pedra e chão”.
Afiados nas notas, os músicos da banda parecem tocar em conjunto sem grande esforço. Pudera! Há 15 anos participam dos shows de Lô Borges. O backing vocals, composto por Henrique, Gerson e Renato durante o refrão, combina com a voz mansa de Lô, escondendo brevemente o fato de que o eco utilizado para imitar a versão original do disco tornou a música um pouco bagunçada.
Após uma pausa para aplausos dos comportados fãs, Lô engata a segunda música do setlist, ainda dos tempos de Clube da Esquina, Paisagem da Janela. A canção de ritmo alegre, com seus versos fáceis de cantar, completa a felicidade do público, que, antes de começar o show, se perguntava se iriam ouvir as músicas da década de 70. Após repetir o verso final (“Um cavaleiro marginal, banhado em ribeirão”), Lô faz sua primeira saudação aos presentes. A aparente timidez fica de lado para dar espaço ao simpático mineiro, com seu sotaque gostoso de Belo Horizonte. Agradece, conta uma rápida história sobre a preparação para a noite, todos riem – mais por descontração do que por achar graça – e fala sobre seu novo CD, Horizonte Vertical. Este show marca seu lançamento.
Show do cantor no Sesc Pompéia, em São Paulo, marca o lançamento de seu novo álbum “Horizonte Vertical”.
Por Julia Magnoni
Acompanhado pelos músicos Henrique Matheus (guitarra e violão), Gerson Barral (teclados), Robinson Santos (bateria) e Renato Valente (baixo elétrico), o tímido cantor entra ao palco. Apresentando-se em carreia solo há quase 40 anos e autor de 14 discos, Lô Borges não é nenhum iniciante. Aos 19 anos, ajudou a fundar, com Milton Nascimento, o grupo musical mineiro Clube da Esquina, autores de dois discos que levam o mesmo nome da banda. Desde então, Lô se apresenta ao público brasileiro.
A rotina de entrada ao palco é a mesma que a de tantos outros cantores: caminha calmamente até o centro, apanha seu violão, dá uma olhada para os músicos e engata a primeira canção – Trem de Doido. A composição, original do primeiro disco Clube da Esquina, é o suficiente para fazer com que o público – quase 800 pessoas – embarque em uma viagem nostálgica. Até os que nem vivos eram na época em que as canções foram lançadas sobem neste trem e cantarolam juntos aos versos da “noite azul, pedra e chão”.
Afiados nas notas, os músicos da banda parecem tocar em conjunto sem grande esforço. Pudera! Há 15 anos participam dos shows de Lô Borges. O backing vocals, composto por Henrique, Gerson e Renato durante o refrão, combina com a voz mansa de Lô, escondendo brevemente o fato de que o eco utilizado para imitar a versão original do disco tornou a música um pouco bagunçada.
Após uma pausa para aplausos dos comportados fãs, Lô engata a segunda música do setlist, ainda dos tempos de Clube da Esquina, Paisagem da Janela. A canção de ritmo alegre, com seus versos fáceis de cantar, completa a felicidade do público, que, antes de começar o show, se perguntava se iriam ouvir as músicas da década de 70. Após repetir o verso final (“Um cavaleiro marginal, banhado em ribeirão”), Lô faz sua primeira saudação aos presentes. A aparente timidez fica de lado para dar espaço ao simpático mineiro, com seu sotaque gostoso de Belo Horizonte. Agradece, conta uma rápida história sobre a preparação para a noite, todos riem – mais por descontração do que por achar graça – e fala sobre seu novo CD, Horizonte Vertical. Este show marca seu lançamento.
O disco, seu 14º e mais recente, conta somente com composições autorais do músico. Em entrevista ao jornal paulista Estadão, Lô explicou que sentiu necessidade de voltar a compor. Ao olhar para trás, via que tinha escrito músicas preciosas na década de 70, um passado do qual se orgulha. No entanto, a partir dos anos 80, sua dedicação à arte passou a desacelerar. O gosto por produzir só reacendeu, segundo o músico, com o nascimento de seu primeiro filho em 1998. A alegria e importância de ser pai o fez pensar em seu trabalho e o que estaria deixando de legado para seu filho sentir orgulho. Resolveu voltar às suas raízes. Bolou uma rotina em que acordava pela manhã, tomava seu desjejum, sentava-se para meditar e observar a vida ao se redor. Depois, começava a escrever, e só parava às seis horas da tarde. Queria ver ampliada sua obra autoral, e conseguiu.
Apesar de o disco ser um trabalho solo, traz participações especiais de outros mineirinhos, como Fernanda Takai, Samuel Rosa, Márcio Borges e o velho amigo, Milton Nascimento. Em meio às antigas parcerias, uma recente se sobressaiu: a participação da musicista paulista Patrícia Maês. Colaboradora de mais da metade das canções no álbum, Patrícia é considerada pelo músico a responsável pelo “frescor” do trabalho. O repertório inteiro foi escrito e gravado em apenas oito meses.
Já no show, era a vez de escutar uma faixa do novo disco. Sem rodeios, Lô inicia com a música que dá nome ao álbum, Horizonte Vertical. A balada, criada em parceria com Nando Reis, mostra que o músico ainda está muito em forma, sim senhor. Tanto na composição harmônica, quanto nas letras e na afinação da voz. A mudança vem no uso de uma bateria mais marcada, com participação mais acentuada do que em seus outros discos, dando à canção um feeling menos acústico do que é esperado nas composições de Lô Borges. O público gostou. Ele, então, continuou com as músicas do novo disco.
Nenhum Segredo, feita em parceria com Patrícia Maês e Samuel Rosa, vocalista da banda Skank, é uma mistura de estilos. Não quero dizer Rock e Samba ou Maracatu e Pagode, mas sim Lô e Samuel. No disco cantam juntos, mas no show o vocal ficou inteiramente a cargo de Lô. Dispensada a banda, a música foi apresentada em voz e violão, dando um gostinho que ficava difícil definir: Skank ou Lô? Não importa, a união foi feliz e os estilos se encaixaram. E ainda mais um ponto positivo: graças ao uso de apenas um instrumento, a letra era inteligível, possibilitando à platéia, ainda pouco familiarizada com o trabalho do novo CD, apanhar a letra – ao menos, do refrão – para acompanhar o músico.
Dando um break das novas músicas, Lô entrou numa lista de canções de sua época áurea. Eu Sou Como Você É, Canção Postal e Homem da Rua, do disco Lô Borges (1972), Um Girassol da Cor dos Seus Cabelos do disco Clube da Esquina (1972) – talvez sua mais famosa música -, A Via Láctea, do disco de mesmo nome, considerado o mais importante de sua carreira e lançado em 1979.
Entre as músicas, parava para contar causos mineiros, histórias de vida, momentos engraçados. Esbanjava graça e felicidade. Tocou mais algumas do disco novo: On Venus, Xananã, Antes do Sol e Quem Me Chama, que originalmente contam com participação de Fernanda Takai; Você e Eu e Canção Mais Além, ambas dedicadas ao seu filho Luca; O Seu Olhar e De Mais Ninguém, elaboradas juntamente com Patrícia Maês e Ronaldo Bastos; Mantra Bituca e Da Nossa Criação, parceria com Milton Nascimento. Por falta destes companheiros durante o show, Lô contou com os vocais da sua banda, todos muito afinados, embora substituir Milton Nascimento não seja das tarefas mais fáceis.
Dando um break das novas músicas, Lô entrou numa lista de canções de sua época áurea. Eu Sou Como Você É, Canção Postal e Homem da Rua, do disco Lô Borges (1972), Um Girassol da Cor dos Seus Cabelos do disco Clube da Esquina (1972) – talvez sua mais famosa música -, A Via Láctea, do disco de mesmo nome, considerado o mais importante de sua carreira e lançado em 1979.
Entre as músicas, parava para contar causos mineiros, histórias de vida, momentos engraçados. Esbanjava graça e felicidade. Tocou mais algumas do disco novo: On Venus, Xananã, Antes do Sol e Quem Me Chama, que originalmente contam com participação de Fernanda Takai; Você e Eu e Canção Mais Além, ambas dedicadas ao seu filho Luca; O Seu Olhar e De Mais Ninguém, elaboradas juntamente com Patrícia Maês e Ronaldo Bastos; Mantra Bituca e Da Nossa Criação, parceria com Milton Nascimento. Por falta destes companheiros durante o show, Lô contou com os vocais da sua banda, todos muito afinados, embora substituir Milton Nascimento não seja das tarefas mais fáceis.
Para finalizar, tocou a música que todos aguardavam. Ao ouvir a virada da bateria e a entrada da guitarra, o público se levantou, dançou e cantou Trem Azul, ainda mais uma faixa do disco Clube da Esquina. Mudando um pouco o final da canção, ao terminar com a frase inicial “coisas que a gente se esquece de dizer” repetida algumas vezes, é seguro dizer que Lô Borges não esqueceu absolutamente nada neste show. Uma bela maneira de se inaugurar um CD que tem tudo para ser mais um marco em sua (assim esperamos) ainda longa carreira.
Artista: Lô Borges
Show: Lançamento do CD Horizonte Vertical
Onde e quando: Sesc Pompéia,São Paulo, no dia 17 de novembro de 2011
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