Novas liras
Um ano e meio após o fim de Cordel do Fogo Encantado, o músico Lirinha estreia na carreira solo e divulga seu disco gratuitamente na internet
Por Anna Tiago
De Arcoverde, sertão de Pernambuco, para o Brasil. E se seguir os passos do quinteto Cordel do Fogo Encantado, grupo do qual fez parte por mais de dez anos, José Paes de Lira, ou Lirinha, terá grandes chances de levar sua música para além das fronteiras nacionais. Em fevereiro de 2010, o vocalista da banda que misturava poesia e sons oriundos da cultura nordestina decidiu encerrar as atividades em grupo com a intenção de trilhar novos caminhos. Alguns meses depois, a emblemática data 11 de setembro foi o marco de sua nova empreitada
A maior novidade no lançamento do álbum Lira (2011) foi sua divulgação gratuita no site oficial do cantor (www.josepaesdelira.net). Lá, os fãs da extinta Cordel do Fogo Encantado podem baixar as 12 faixas do disco e descobrir as mudanças entre o ex-líder da banda e o então artista solo. O estilo não é idêntico, mas a essência poética é bem semelhante. Ponto para Lirinha. Felicidade para os fãs de Cordel.
A temática das músicas varia bastante, embora a maioria seja de cunho intimista. Amor, solidão e nostalgia são sentimentos recorrentes, sempre com o toque literário do artista, que usa e abusa das metáforas. Lirinha esteve presente na composição de todas as músicas, embora algumas contem com a participação de artistas como o cantor e compositor Fábio Trummer, da banda olindense Eddie, e do percussionista, cantor e compositor Jorge Du Peixe, da também olindense Nação Zumbi.
Outros artistas importantes também aparecem no álbum. Em “Valete”, Lirinha alterna os vocais com Otto e Ângela Rorô. Nessa mesma faixa, ele declama versos, uma de suas características marcantes, ao misturar canto e poesia. Outro pernambucano presente é o Maestro Forró, que toca seu celebrado trompete em “Noite Fria”.
Outra curiosidade no disco é o uso de diferentes instrumentos e aparelhagens. Ao contrário de sua antiga banda, que usava apenas violão e percussão na maioria das músicas, Lirinha promoveu a interação entre guitarra, piano acústico e elétrico, teclados, sintetizadores e a fiel percussão. Os novos sons deram ao álbum um ar mais pop, com batidas que fazem referência ao rock.
Por fim, uma das mais notáveis diferenças entre o Lirinha solo e o Lirinha ex-Cordel está justamente nas letras das canções. Antes, o regionalismo se fazia presente em quase todas as faixas dos três álbuns da banda. Em Lira, a pessoalidade do músico aflora, ressaltando, talvez, o porquê da escolha pela carreira solo.
Artista: Lirinha
Disco: Lira (2011)
Gravadora: Casona (PE) e YB (SP)
Onde encontrar: pode ser baixado gratuitamente no site www.josepaesdelira.net

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