“Boa Parte de Mim Vai Embora”
Em segundo disco, meninos do Vanguart vêm menos folk, mais maduros e com São Paulo reverberando no processo criativo
por Alana Lima
Oficialmente, a banda Vanguart lançou seu primeiro cd de estúdio em 2007. Os meninos do Mato Grosso despontaram no cenário alternativo brasileiro e junto com a cantora Mallu Magalhães deram indício ao que as gravadoras acreditavam ser uma fase crescente do gênero indie folk rock na música brasileira. Os rapazes cantavam em inglês, espanhol e português no disco de estreia e as grandes influências eram Bob Dylan e a música da fronteira com a América Latina.
Depois de quatro anos, em agosto de 2011, os cuiabanos lançaram o tão aguardado segundo disco de inéditas – a prova de fogo de toda banda que tem sucesso na estreia. “Boa parte de mim vai embora” traz um Vanguart mais maduro musical e pessoalmente. Os rapazes ganharam uma nova integrante na banda - a violinista Fernanda Kostchak –, mudaram-se para São Paulo e agora se sentem mais livres para afrouxar os laços que os amarravam ao folk. Todas as músicas do CD, com exceção da primeira faixa “Mi vida eres tú” - que possui trechos em espanhol -, são cantadas em português e foram escritas pelo vocalista Hélio Flandres - algumas em parceria com o baixista Reginaldo Lincoln, que também divide o vocal em canções como “Das lágrimas”. A transformação relativa ao idioma os faz mais próximos do grande público. Hoje, perguntados sobre as maiores influências da banda, a resposta direta não é Dylan, como há quatro anos, mas Cida Moreira, cantora de voz grave e interpretações emocionadas, românticas e melodramáticas. Os meninos, já não tão meninos assim, não abandonaram o folk, mas permitiram se reinventar.
“Boa parte de mim vai embora” é um disco que trata de recomeço e sobretudo de despedidas, como já sugere o título. Reflete um período pós-fim de relacionamento vivido pelos autores das canções, Hélio e Reginaldo, com suas respectivas companheiras. Os rapazes mostram luto em muitas canções, mas dispostos a seguir em frente – nada de amor adolescente. Na faixa dançante que abre o disco e (que) lembra as polcas paraguaias, o vocalista deixa pistas dessa tristeza e do recomeço: “E se eu sou triste, a causa é você / É só você”. (…) “Ando pelas tuas esperando que venha alguma louca / Mais louca ainda que eu / Alguém como eu”. O refrão cantado em espanhol dá uma pitada de melodrama à música.
Um ponto interessante do cd é que ele funciona de maneiras bastante diferentes. Em uma audição mais despreocupada é possível apenas aproveitar o som e até dançar nas músicas de ritmo um pouco mais agitado, como “Se tiver que ser na bala, vai” e “Depressa”. Uma escuta mais concentrada, no entanto, é capaz de levar o ouvinte a sentir de novo uma dor-de-amor e a lembrar as perdas da vida. É um disco bastante dolorido e, segundo o próprio Hélio Flandres, nem ele esperava que ia expor, nas canções, tanto as suas feridas. Deve ter funcionado como boa terapia.
O álbum tem uma grande unidade temática e as letras possuem bastante frases de efeito, como “E quando lhe faltar razão / Que enfim fale o coração”, da faixa “Desmentindo a despedida”. Frases que, inclusive, estão sendo constantemente citadas pelos fãs em redes sociais. A internet, aliás, é um terreno fértil para a banda. Faixas do disco foram disponibilizadas primeiramente na rede. Para ouvir as músicas, bastava “curtir” a página da banda no Facebook – fato que, a meu ver, é uma estratégia no mínimo controversa: como você pode dizer que “curte” ou gosta da banda antes de ouvi-la?
Neste segundo CD as mulheres estão presentes de diferentes formas: o tema das músicas, a nova integrante Fernanda Kostchak - que traz novos ares tanto com o violino como com a convivência com os rapazes - e a capa do disco, que é composta por quatro mulheres que têm ligações com a banda. O Vanguart quis prestar uma homenagem às tantas mulheres fortes, às suas mães e às suas ex-companheiras que lhes ensinaram a lidar com o amor e com o sofrimento. A banda parece mesmo estar em uma nova fase de amadurecimento, de redescobertas, de mudança. Uma segunda fase tão boa quanto a primeira e que lembra que a graça e o bonito da vida é mesmo se reinventar.
Artista: Vanguart
Disco: Boa Parte de Mim vai Embora
Gravadora: DeckDisc
Preço: 22,90
Em segundo disco, meninos do Vanguart vêm menos folk, mais maduros e com São Paulo reverberando no processo criativo
por Alana Lima
Oficialmente, a banda Vanguart lançou seu primeiro cd de estúdio em 2007. Os meninos do Mato Grosso despontaram no cenário alternativo brasileiro e junto com a cantora Mallu Magalhães deram indício ao que as gravadoras acreditavam ser uma fase crescente do gênero indie folk rock na música brasileira. Os rapazes cantavam em inglês, espanhol e português no disco de estreia e as grandes influências eram Bob Dylan e a música da fronteira com a América Latina.
Depois de quatro anos, em agosto de 2011, os cuiabanos lançaram o tão aguardado segundo disco de inéditas – a prova de fogo de toda banda que tem sucesso na estreia. “Boa parte de mim vai embora” traz um Vanguart mais maduro musical e pessoalmente. Os rapazes ganharam uma nova integrante na banda - a violinista Fernanda Kostchak –, mudaram-se para São Paulo e agora se sentem mais livres para afrouxar os laços que os amarravam ao folk. Todas as músicas do CD, com exceção da primeira faixa “Mi vida eres tú” - que possui trechos em espanhol -, são cantadas em português e foram escritas pelo vocalista Hélio Flandres - algumas em parceria com o baixista Reginaldo Lincoln, que também divide o vocal em canções como “Das lágrimas”. A transformação relativa ao idioma os faz mais próximos do grande público. Hoje, perguntados sobre as maiores influências da banda, a resposta direta não é Dylan, como há quatro anos, mas Cida Moreira, cantora de voz grave e interpretações emocionadas, românticas e melodramáticas. Os meninos, já não tão meninos assim, não abandonaram o folk, mas permitiram se reinventar.
“Boa parte de mim vai embora” é um disco que trata de recomeço e sobretudo de despedidas, como já sugere o título. Reflete um período pós-fim de relacionamento vivido pelos autores das canções, Hélio e Reginaldo, com suas respectivas companheiras. Os rapazes mostram luto em muitas canções, mas dispostos a seguir em frente – nada de amor adolescente. Na faixa dançante que abre o disco e (que) lembra as polcas paraguaias, o vocalista deixa pistas dessa tristeza e do recomeço: “E se eu sou triste, a causa é você / É só você”. (…) “Ando pelas tuas esperando que venha alguma louca / Mais louca ainda que eu / Alguém como eu”. O refrão cantado em espanhol dá uma pitada de melodrama à música.
Um ponto interessante do cd é que ele funciona de maneiras bastante diferentes. Em uma audição mais despreocupada é possível apenas aproveitar o som e até dançar nas músicas de ritmo um pouco mais agitado, como “Se tiver que ser na bala, vai” e “Depressa”. Uma escuta mais concentrada, no entanto, é capaz de levar o ouvinte a sentir de novo uma dor-de-amor e a lembrar as perdas da vida. É um disco bastante dolorido e, segundo o próprio Hélio Flandres, nem ele esperava que ia expor, nas canções, tanto as suas feridas. Deve ter funcionado como boa terapia.
O álbum tem uma grande unidade temática e as letras possuem bastante frases de efeito, como “E quando lhe faltar razão / Que enfim fale o coração”, da faixa “Desmentindo a despedida”. Frases que, inclusive, estão sendo constantemente citadas pelos fãs em redes sociais. A internet, aliás, é um terreno fértil para a banda. Faixas do disco foram disponibilizadas primeiramente na rede. Para ouvir as músicas, bastava “curtir” a página da banda no Facebook – fato que, a meu ver, é uma estratégia no mínimo controversa: como você pode dizer que “curte” ou gosta da banda antes de ouvi-la?
Neste segundo CD as mulheres estão presentes de diferentes formas: o tema das músicas, a nova integrante Fernanda Kostchak - que traz novos ares tanto com o violino como com a convivência com os rapazes - e a capa do disco, que é composta por quatro mulheres que têm ligações com a banda. O Vanguart quis prestar uma homenagem às tantas mulheres fortes, às suas mães e às suas ex-companheiras que lhes ensinaram a lidar com o amor e com o sofrimento. A banda parece mesmo estar em uma nova fase de amadurecimento, de redescobertas, de mudança. Uma segunda fase tão boa quanto a primeira e que lembra que a graça e o bonito da vida é mesmo se reinventar.
Artista: Vanguart
Disco: Boa Parte de Mim vai Embora
Gravadora: DeckDisc
Preço: 22,90
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