quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pernambuco - Mombojó - Nadadenovo (De novo, não!)


Nada de novo, só mistura dos outros
Em seu primeiro disco, Nadadenovo, a banda Mombojó abusa de falta de originalidade, desafinação e mistura de ritmos, criando um álbum barulhento e incômodo

Por Eduardo Donida

Felipe S. (voz), Samuel Dee (baixo), Vicente Machado (bateria), Marcelo Machado (guitarra), Rafa (flauta), Chiquinho Moreira (teclado e sampler) e Marcelo Campello (violão, cavaquinho e escaleta). Muitos integrantes, pouca qualidade. Assim pode-se avaliar o primeiro disco da banda Mombojó, Nadadenovo, cujo título antecipa o que o disco vem a contribuir para a música local e nacional.

Lançado em 2004, Nadadenovo foi resultado do apoio da Prefeitura do Recife, através da Lei de Incentivo à Cultura, e vendeu cerca de duas mil cópias, além de também ser simultaneamente lançado na Internet. O álbum ainda seria distribuído nas bancas em mais de 20 mil unidades da Revista Outra Coisa, do cantor Lobão.

Mesmo com o aparente sucesso de vendas, pelo menos em relação a bandas independentes, o primeiro álbum da pernambucana Mombojó nada tem de novo. Na verdade, trata-se de uma mistura de ritmos e estilos já existentes que chega a confundir o ouvinte e dificulta sua compreensão quanto ao gênero da banda. Numa tentativa de seguir os passos do precursor Chico Science, Mombojó passa longe de desenvolver um manguebeat. Pelo contrário, a marca do disco é a alternância de ritmos, que oscilam desde a bossa nova ao hip hop, com passagens pela surf music, samba-canção, reggae, rock e, muitas vezes, confundindo-se com outras bandas de sucesso, como nas música “Adelaide”, “Container” e “Merda”, que bem poderiam ter saído de um disco de Los Hermanos.

Curiosamente, a banda, antes de investir no novo estilo musical, seja lá qual for, chamava-se Los Primos, tratando-se de um cover daquela liderada por Marcelo Camelo. Coincidentemente, ou não, a semelhança é frequente em vários momentos do álbum.

Somadas às melodias inconstantes, as letras pouco ou nada acrescentam. Refrões inesperados, vazios, quando existentes, empobrecem algumas canções. É o caso de “Splash shine”. A faixa se inicia de forma calma e, de repente, perde o rumo, se tornando mais barulho do que música. Introduções longas e cansativas também predominam no disco, às vezes recheadas de vozes camufladas, alteradas, distorcidas, sons de bebês e barulhos estranhos, além da irregularidade vocal que, frequentemente, destoa da proposta apresentada.

A música “Merda” talvez seja uma das piores do álbum. Com melodia pouco ou nada original, as palavras fazem pouco sentido. Numa tentativa frustrada de aludir à bossa nova, Mombojó não poderia ter escolhido título melhor para a décima primeira faixa do disco, que honra seu nome e, com facilidade, poderia intitular todo o disco da banda.

“Discurso Burocrático” e “A Missa” já seguem outros caminhos. Com duração de pouco mais de um minuto, a primeira alude a um trip hop, estilo semelhante ao da segunda. Em faixas, como “O céu, o sol e o mar” a banda também não segue nenhuma regra ou modelo. A música se inicia com uma espécie de reggae, desenvolve um quase-refrão mais lento e possivelmente faz dormir quem a escuta.

Positivamente, a banda tem aspectos interessantes. É o caso de instrumentos pouco usuais, ou incomuns nas maiorias dos grupos. Mombojó conta com flautas, sampler, cavaquinho, teclados oníricos. Embora pouco compatíveis com o estilo a que se propõem os integrantes da banda, a variedade de sons tende a contribuir para a riqueza musical do grupo. No entanto, a variedade de instrumentos é prejudicada a partir do momento que todos são usados de forma simultânea, o que dificulta a percepção de cada um deles.

Criada no dia 1º de abril de 2001, Mombojó é uma mentira do estilo recifense do manguebeat. Quatro anos após a morte de Chico Science, o pai do movimento, a banda se propõe a seguir os passos de um estilo mais próximo do pós-mangue. Mas somente no papel. Na prática, ainda precisam objetivar o projeto e definir a direção a seguir, especialmente que seja a sua própria direção, sem se limitar a imitações.

Artista: Mombojó
Disco: Nadadenovo (2004)
Gravadora: L&C Editora
Preço: R$ 19

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