De uma garagem para o mundo
Essa é a trajetória de muitas bandas, mas foi também o da criação de Wasting Light, sétimo álbum do Foo Fighters. Um disco que nasceu para ser um clássico do gênero.por Márcio Medeiros
Uma garagem, cinco amigos, alguns convidados e quase 50 minutos de música. Esse poderia ser o cenário do início de uma banda qualquer gravando um disco qualquer. Poderia, se a garagem não fosse do Dave Grohl, se os amigos não fossem os integrantes do Foo Fighters e os convidados: Butch Vig, Krist Novoselic e Bob Mould. O primeiro produziu o Nevermind do Nirvana, o segundo foi colega de Grohl no próprio Nirvana e o terceiro tocou, cantou e compôs na finada Hüsker Dü. E os 50 minutos de música? É a duração do Wasting Light, sétimo álbum da carreira do Foo Fighters e nada menos que um dos principais discos lançados em 2011.
O que se pode ouvir em Wasting Light é um Dave Grohl ainda mais gritante, rock and roll na mais pura essência, uma ou outra balada e a constante presença das guitarras. Presença essa que, de acordo com o próprio Dave no documentário Back and Forth,lançado este ano, é o que caracteriza o som da banda e agora mais do que nunca com o retorno de Pat Smear. Junto com Chris Shiflett, guitarrista, Nate Mendel, baixista, e Taylor Hawkins, baterista, Grohl comanda a banda nas 11 faixas de um álbum totalmente conciso. Não tem como não ouvir o disco do primeiro ao último acorde de uma só vez. Ao final desse último acorde, Wasting Light deixa ecoando na cabeça do ouvinte desde os arranjos de guitarra de “Bridge Burning” - faixa que abre o disco - ao thrash metal de “White Limo”, sem esquecer do casamento perfeito da voz de Bob Mould com a de Grohl em “Dear Rosemary”.
Em “These Days” há a introdução da guitarra junto com uma voz serena e tranqüila, mas que culmina num refrão que explode em energia. Há também a tenebrosa “I Should Have Known”, que revela um Grohl sentimental e que viaja por um passado distante. Quem sabe deve ser algo relacionado ao Nirvana. Contudo, se a letra não tiver nada a ver com sua antiga banda, a linha marcante de baixo e o acordeão remete à relação. É que Krist Novoselic (Nirvana) foi o responsável pela gravação desses instrumentos e também deixou sua marca no álbum. Assim como o produtor Butch Vig que comandou tudo da garagem e, a pedidos do dono da casa, gravou todo o processo em fita magnética.
Voltando às canções, sabe aquele último acorde? É o de “Walk”. Mais uma excelente composição do quinteto. Nela, alternando entre a tranquilidade e a gritaria, Grohl canta que está aprendendo a andar e falar novamente. Em outro momento, ele diz que não quer morrer ou mesmo ir embora. É o fim anunciando um novo início. Com Wasting Light, o Foo Fighters realmente não vai morrer ou desaparecer. Esse disco afirma ainda mais o quão grande eles se tornaram.
Artista: Foo Fighters
Disco: Wasting Light
Gravadora: RCA
Preço: R$22
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