quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Gringo - De Novo, Não! - Linkin Park - A Thousand Suns
O buraco negro
Linkin Park foge das guitarras distorcidas e dos gritos, criando um álbum conceitual irritante e sem graça
por Amanda Arruda
Identidade. Não é fácil de achar, mas é ridiculamente simples de perder. Que o diga a banda californiana Linkin Park. A Thousand Suns, lançado em julho de 2010, foi o que alguns críticos chamam de uma "mudança alastrada, contraditória e ambiciosa" no estilo de fazer música da banda. Bonitas palavras para dizer que este álbum tem pouco ou nada a ver com a banda de rap metal que gerou singles como Points of Authority ou Somewhere I Belong.
Numa sacada experimental, Mike Shinoda e Chester Bennigton retratam, nesse CD, os sobreviventes de uma bomba atômica. O álbum tem um cunho político leve – como não poderia deixar de ser, visto o assunto no qual é baseado – e usa discursos de Mario Savio em “Wretches and Kings”, Martin Luther King Jr. em “Wisdom, Justice, and Love” e uma entrevista de J. Robert Oppenheimer em “The Radiance”. A ideia, de uma forma geral, não é tão ruim. Claro que não deixa de parecer bobo retratar uma tragédia que nem aconteceu, quando existem tantas outras acontecendo ao redor do mundo. Mas, de forma geral, talvez servisse, se fosse bem executada.
Mas isso não aconteceu. Apesar de ser, de forma geral, um trabalho mais “de ponta” que os anteriores – segundo o próprio Mike Shinoda –, A Thousand Suns é um dos álbuns mais irritantes que alguém pode se dar ao desprazer de escutar. Coproduzido por Rick Rubin e Mike Shinoda, o trabalho sofre de falta de guitarras e sobra de arranjos eletrônicos, soando, em alguns momentos, quase como um Kraftwerk ruim e perdido.
O álbum começa com a introdução The Requiem – que consiste em silêncio, uma voz robótica feminina e sons eletrônicos irritantes –, seguida pela ponte The Radiance, na qual uma voz que parece a de Mike Shinoda (não dá pra ter certeza, por causa dos efeitos) recita uma fala de J. Robert Oppenheimer. Chato, mas você pensa que pode melhorar. Burning in the Skies é a próxima e daí você começa a pensar que colocou o CD errado para tocar e isso não pode ser Linkin Park. Onde estão os gritos de Chester Bennigton? Ou os refrões marcantes? Onde está toda a energia? Onde está, afinal, a banda?
Esqueça. O Linkin Park de Hybryd Theory não está mais ali. Os raps, que aparecem em faixas como When They Come For Me, pecam por falta daquela vitalidade que pode ser observada nos álbuns anteriores. E o que não se tem em gritos, guitarras e outras marcas que assinavam pela banda, sobra em bridges sem pé nem cabeça. A Thousand Suns seguiu o caminho que Minutes to Midnight começou: o do experimentalismo confuso.
Nesse álbum não há uma música, uma sequer, que, ao mesmo tempo, se destaque como boa e responda à proposta atual. Até The Catalyst, escolhida como primeiro single do álbum, está fadada à falta de ânimo da qual todo o CD sofre. The Messenger, uma faixa totalmente acústica na qual Chester Bennigton canta o amor, até que não é das piores – mas não tem nada a ver com a proposta do álbum ou mesmo com Linkin Park no geral.
Na tentativa de mostrar que “cresceu”, o Linkin Park abriu mão do que sabia fazer melhor: chamar todo mundo para cantar e gritar junto, com energia e empolgação contagiantes. A Thousand Suns não tem nada da força ou da luminosidade que você imaginaria de um álbum intitulado – na tradução literal – “mil sóis”. Muito pelo contrário, o álbum deveria ter o nome de “buraco negro”, que é o que fica no lugar de uma estrela que morre.
Artista: Linkin Park
Disco: A Thousand Suns
Gravadora: Warner Music
Preço: R$ 24,90
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