quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Clássicos - Queen - A Night at the Opera


A Rainha chega ao topo
Com grandes sucessos como Love of My Life e Bohemian Rhapsody, "A Night at the Opera" (1975), o quarto álbum do Queen, mostra o talento dos seus quatro membros e consagra a banda inglesa no cenário da música

Por Denny Costa

Em 1975, a banda Queen lançou o seu quarto álbum “A Night at the Opera”, sendo, na época em que foi lançado, um dos discos mais caros já gravados. Com ele atingiu marcas impressionantes, foi o primeiro da banda a conseguir um disco de platina, o primeiro também a vender mais de um milhão de cópias e a atingir o topo das paradas do Reino Unido e EUA. Foi o álbum que alavancou a banda para assumir dimensões cada vez maiores. De acordo com o livro Guinness dos recordes, ultrapassou os Beatles e o Elvis Presley e se tornou o grupo mais bem-sucedido na história da parada de sucessos britânica.

“A Night at the Opera” é uma das obras mais refinadas da história do rock. Ajudou a definir um estilo conhecido como rock arte, com produções muito bem feitas. O processo de gravação contou com o criativo Mike Stone que forçou a tecnologia da época além dos limites para conseguir os efeitos nos vocais e nas músicas, todos “naturais”, não-digitais. A música ‘Lazing On A Sunday Afternoon’, é um exemplo dessa criatividade: foi gravada com o auxílio de uma lata de metal para fazer com que a voz de Freddie Mercury soasse como se estivesse sendo cantada em um megafone, com o microfone capitando o som que saia de dentro da lata. Outra curiosidade do processo de gravação é a de que cada linha instrumental foi gravada em um estúdio diferente, as guitarras em um, bateria em outro, e assim sucessivamente, para serem melhor trabalhadas – o que mostra o perfeccionismo do grupo.

O disco tem influências dos Beatles, que costumavam produzir álbuns bem ecléticos (o próprio Roger Taylor, baterista da banda, cita Rubber Soul, Revolver e Abbey Road como exemplos que os inspiraram). Até mesmo como os próprios Beatles, o Queen é composto por quatro grandes músicos diferentes, cada um com seu estilo de composição, mas que mantiveram uma unidade maior no disco, a identidade da banda. As comparações entre os dois grupos ingleses não param por aí. “A Night at the Opera” é tido, pelos fãs, como o “White Album” (dos Beatles, 1968) do Queen, devido a relevância de ambos os discos para as carreiras das duas bandas. O resultado de tanto talento reunido é um disco com faixas variadas musicalmente mantidas pelas camadas e mais camadas de harmonias vocais. As vozes de Brian May, Roger Taylor e John Deacon juntas, compondo as vozes de background muito presente nas músicas, conferem ao Queen uma identidade muito forte, fazendo com que suas composições sejam facilmente reconhecidas.

Muitas camadas de vozes e instrumentos conferindo grandes proporções ao disco não é nenhuma novidade. Isso já aparecia em trabalhos anteriores, como Killer Queen (do terceiro disco do Queen, “Sheer Heart Attack”, de 1974). No entanto, em “A Night at the Opera”, não apenas Freddie Mercury, o vocalista da banda, reafirma-se como grande músico, mas também a capacidade dos outros membros do Queen é comprovada: ‘I’m in Love With My Car’ e ‘You’re My Best Friend’ são interpretadas, respectivamente, pelo baterista Roger Taylor e pelo baixista John Deacon . Já ‘Good Company’ e ‘39″’, pelo guitarrista Brian May.

A música de abertura da obra, ‘Death on Two Legs (Dedicated to...)’, transparece propositalmente toda a raiva de Freddie Mercury com o empresário deles da época (Norman Sheffiled). Pode-se dizer que foi dedicada a ele: tinha a reputação de ter tratado mal a banda e abusado do seu papel de empresário entre 1972-1975. O riff da música, inicialmente feito por Mercury no piano, casou muito bem nas mãos de Brian May com sua guitarra. 

Já a quinta faixa, “’39”, escrita e interpretada por Brian May, é um folk de ficção científica. Fala sobre um astronauta que viajou em uma espaçonave e que, pelas leis da física, tinha sua percepção de tempo totalmente diferente das pessoas na Terra. Ele então volta, depois de o que acha ter sido um ano, quando, na verdade, se passaram 100 anos. E tudo está mudado.

‘Seaside Rendezvous’, a sétima música, mostra a auto-ironia da banda ao não se levar tão a sério. Ao trazer efeitos sonoros, como assobios e sapateado, a música que já tem um ritmo animado parece ainda mais com um “musical da Broadway”. Assim como ‘Seaside Rendezvous’, ‘The Prophet’s Song’ mostra o experimentalismo da banda, mas de maneira mais acentuada. Em uma parte da música, acontece uma espécie de “remix a capella”, uma repetição de frases sem nenhum instrumento ao fundo, conferindo à canção quase que um ritmo eletrônico formado só com varias camadas de vozes se sucedendo.

O álbum ainda conta com dois dos maiores sucessos da banda: ‘Love of My Life’ e ‘Bohemian Rhapsody’. ‘Love of My Life’ foi escrita por Mercury para sua namorada. Apenas com o piano, harpa, uma guitarra e as vozes de background, a música continua até hoje sendo icônica da banda.

No entanto, se tem alguma canção que seja mais conhecida e simbolize mais o Queen do que ‘Love of My Life’, ela é ‘Bohemian Rhapsody’. Um marco na história da música, outra idealização de Mercury. Os outros membros gravaram seus instrumentos isoladamente sem saber como a faixa final ficaria. Com letra marcante, experimentalismo presente tanto nos arranjos vocais quanto na idealização da melodia, uma superprodução, e com diversas camadas de vozes presentes quase o tempo inteiro na música, ela reflete o espírito que “A Night at the Opera" e o Queen têm.

E, como uma espécie de bônus, o disco termina com o hino do Reino Unido, uma saudação à sua rainha, a música ‘God Save the Queen’, tocada pelo Queen em uma versão apenas instrumental.

Artista: The Queen
Álbum: A Night at the Opera (1975)
Gravadora: EMI
Preço: R$ 34

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