Madura e doce
Brasileiro da raiz ao comprimento, Pitanga traz o amor cantado em samba e bossas, numa doçura e delicadeza deliciosaspor Amanda Arruda
“Pode falar que eu não ligo. Agora, amigo, eu tô em outra. Eu tô ficando velha. Eu tô ficando louca”. É assim que Mallu Magalhães começa o seu novo CD, “Pitanga”, que foi lançado no último dia 30 de setembro e já vem sendo apontado positivamente pela crítica especializada, como um fruto do amadurecimento de Mallu como cantora. De fato, ela parece mesmo estar em outra. O novo disco, apesar de manter algumas nuances em comum com os trabalhos anteriores – como as letras em inglês e o ritmo cadenciado das canções –, é diferente de qualquer outra coisa que a compositora tenha feito.
“Pitanga” foi gravado e mixado no estúdio El Rocha, em São Paulo, em 55 dias, com ajuda de Marcelo Camelo, seu namorado, que ficou na produção; de Fernando Sanches (ex-integrante da banda CPM 22), que ficou responsável pela engenharia de som; e de Victor Rice, que fez a mixagem. Pela primeira vez, a cantora toca bateria, piano e guitarra, instrumentos nunca explorados em gravações por ela anteriormente.
O trabalho de Mallu não leva o nome de Pitanga por acaso. O brasileirismo da fruta combina com o do álbum. Fugindo um pouco do folk dos dois primeiros CDs e com bem menos letras em inglês, “Pitanga” é pleno de sambas e bossas, influências que a cantora tem absorvido nessa etapa da sua carreira. "Esse disco é fruto de toda uma nova fase na minha vida. Tenho escutado muito Luiz Bonfá, Vinicius, Tom, Som Três, Novos Baianos", comentou Mallu.
Os arranjos das músicas - que receberam atenção especial do namorado Marcelo Camelo - são delicados. Destaque para Youhuhu que, apesar do nome estranho, reserva surpresas para quem a escutar: piano, um som abafado de bombo, violão, algo que parece com o som de água correndo e os assovios de Mallu. Tudo se mistura com outros sons diversos para formar uma canção simplesmente deliciosa de escutar.
No geral, “Pitanga” é coeso, com composições que formam um conjunto ainda mais harmônico quando ouvidas como um todo. Com transições suaves entre uma música e outra – principalmente de Velha e Louca para Cena –, as canções apresentam uma musicalidade tão similar que parecem ser uma única peça. Em suma, um álbum para ser escutado por inteiro, do começo ao fim.
Nas músicas, em sua maioria de letras amorosas e tranqüilas, Mallu inseriu um pouco de sensualidade ao melhor jeitinho come-quieto (que é cara dela), como nesse trecho de Sambinha Bom: “Quero virar sua pele, quero fazer uma capa, quero tirar sua roupa”. Também tem muito do seu novo dia-a-dia morando com Camelo, como no trecho da música Baby, I’m Sure: “Todo dia a gente tem um ao outro”. E são nesses pequenos detalhes de suas músicas que nós percebemos que a menina, do primeiro álbum, virou uma mulher, apresentando menos ingenuidade em suas letras – mas nem por isso se tornando amarga. “Pitanga” é um álbum maduro e doce, como fruta tirada do pé no tempo certo.
Artista: Mallu Magalhães
Disco: Pitanga
Gravadora: Sony Music
Preço: 24,90
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