quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Brasil - De Novo, Não! - Felipe Dylon - Felipe Dylon


Na onda errad
Com cara de paixonite adolescente de verão, Felipe Dylon (2003) foi um tsunami de vendas, mas não trouxe uma marolinha sequer de contribuição para a música brasileira

Por João Vitor Cavalcanti

Na música brasileira, as praias tradicionalmente serviram de cenário para exaltar a beleza das mulheres do País, seja no Sudeste - com Tom Jobim e sua “Garota de Ipanema” -, seja no Nordeste - com “La Belle de Jour”, a moça bonita da Praia de Boa Viagem, de Alceu Valença. Em 2003, Felipe Dylon também resolveu recorrer ao litoral brasileiro como ambiente para suas canções e “nunca antes na história deste país” (para falar de clichê) tanta gente quis nadar, nadar e morrer na praia.

Aos 15 anos de idade, o jovem surfista carioca assinou seu primeiro contrato com a EMI Music, apesar de estar envolvido com música desde os dez, quando formou uma banda com os amigos de escola de nome (acreditem!) “Nerds”. Como resultado, seu primeiro CD de gênero pop, Felipe Dylon, estava à venda poucos meses depois, enquanto suas músicas-chiclete compostas de voz, violão e “poesia” faziam sucesso nas rádios do País e orelhas de muitos adolescentes da época, para preocupação de alguns pais. 

“Deixa Disso” e “Musa do Verão”, cujos versos provavelmente não precisam ser escritos para causar lembrança entre muitos, aparecem respectivamente no começo e fim do álbum e foram responsáveis por vender 120 mil cópias, trazendo para Dylon o certificado de Disco de Ouro. Para muitos, essas duas faixas são o resumo do primeiro CD do jovem artista. Aqui vai um recado aos que pensam assim: caso estejam precisando de um presente caprichado de inimigo secreto para o Natal, não duvidem, Felipe tem muito mais a lhes oferecer.

É verdade, o jovem talento foi injustiçado! Se há alguns meses a também artista teen Rebecca Black fez sucesso cantando sobre os dias da semana em “Friday”, Dylon já cantava sobre o tema há oito anos na segunda faixa do seu CD, “Pura Pressão”: Quarta-feira passou assim / Quinta, coitado de mim! / mas Sexta-feira chegou pra nós / tudo pode acontecer. Felipe Dylon também é Vanguarda.

Outro ponto alto do disco é a participação de Heloísa Périssé na faixa “D+”. Na época, a humorista tinha um quadro no programa semanal Fantástico, da Rede Globo, no qual interpretava uma adolescente de apelido Tati. A atriz foi convidada a participar do álbum e, como boa humorista, não pôde perder a piada. Ao lado de Heloísa interpretando uma personagem estereotipada na canção, Felipe era naturalmente tão caricato quanto ela.



Entretanto, em meio a músicas que se confundem tanto pela temática quanto pela sonoridade como “Só Penso em Você”, “Hipnotizado” e “Vem ficar comigo” o jovem cantor resolveu, além de falar da beleza tropical das praias e mulheres do País, homenagear a própria música brasileira com versões de bandas consagradas. Felipe Dylon, porém, é tão fiel ao seu estilo que o ouvinte só conseguirá distinguir “Me liga”, de Paralamas do Sucesso se conseguir entender os conhecidos versos ao serem embalados pelos maneirismos vocais do então adolescente.

Felipe Dylon conseguiu manter sua onda por mais um ano, com o lançamento do CD seguinte Amor de Verão, que vendeu 175 mil cópias e lhe rendeu um Disco de Platina, mas em 2006 fracassou ao lançar Em Outra Direção com apenas 20 mil cópias. Talvez tenha sido consequência de um sucesso tão precoce, mas uma coisa é certa: Felipe continua sendo um excelente surfista para os que venham a escutá-lo até hoje.

Artista: Felipe Dylon
Disco: Felipe Dylon
Gravadora: EMI 
Preço: R$ 9,49

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