quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Gringo - Pearl Jam - Pearl Jam Twenty (documentário)


Duas décadas de Pearl Jam
Documentário mostra a história da banda que colocou o rock alternativo na frente de batalha contra a indústria fonográfica

Por Rebecca Mazzini


20 anos, 09 álbuns e 60 milhões de discos vendidos. Se alguém duvidava do potencial do Pearl Jam no seu início, em 1990, eles com certeza o provaram errado. Não só em números, mas pelo talento em criação e qualidade musical mostrado por todo conjunto. Pearl Jam Twenty é um rockumentário (neologismo para documentário de rock) dirigido, escrito e produzido por Cameron Crowe, e faz uma retrospectiva das histórias das duas décadas de uma das bandas mais influentes do cenário musical atual. O filme estreou em setembro, no Festival de Cinema de Toronto 2011 e no mês seguinte foi exibido nas telas de todo o mundo, numa prova da popularidade do grupo de Seatlle. Lançado em DVD e Blu-Ray, o documentário vem o lançamento de trilha sonora e a publicação de um livro.

O Pearl Jam foi formado oficialmente em 1990 pelo vocalista Eddie Verder, o baixista Jeff Ament, Stone Gossard na guitarra rítmica e Mike McCready na guitarra solo - o atual baterista da banda, Matt Cameron, veio se juntar a banda em 1998 – e se tornou uma dos ícones do gênero grunge, um subgênero do rock alternativo, também conhecido como Som de Seattle.     O diretor Cameron Crowe, muito conhecido por filmes como Digam O Que Quiserem, Jerry Maguire e Quase Famosos, sempre foi muito próximo dos ritmos e bandas dos anos 80. Antes de entrar para a indústria cinematográfica, Crowe foi editor da Rolling Stone, renomada revista de música e cultura pop, para a qual ele ainda escreve ocasionalmente. Crowe sempre teve uma relação muito próxima com o Pearl Jam desde que o vocalista Eddie Verder, o baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard fizeram uma participação no seu filme Vida de Solteiro, de 1992, nos primeiros anos da banda. E foi essa relação que o fez filtrar 12 mil horas de arquivos em vídeo para Pearl Jam Twenty.

O trabalho final conta, numa ordem cronológica, todos os momentos marcantes da banda, sejam eles gloriosos ou de tragédia. Inclui gravações ao vivo de shows de 1990 a 2010, vídeos amadores, entrevistas raras e momentos marcantes da vida e carreira dos integrantes. A narrativa vai desde a história de Mother Love Bone, a primeira banda do guitarrista Stone Gossard e do baixista Jeff Ament junto com o vocalista Andrew Wood - que morreu de overdose de heroína apenas dias antes da banda lançar o seu primeiro disco – ao luto que seguiu e o encontro com Eddie Verder, que se tornaria o vocalista da nova banda que surgia, Mookie Blaylock, até a sua mudança de nome para Pearl Jam. Daí à colaboração com o vocalista da Soudgarden, Chris Cornell, na banda Temple of Dog, criada como tributo a Wood.

O filme aborda momentos fortes e até mesmo dolorosos para a banda, os quais deixaram sua marca para sempre no processo criativo e no perfil dos integrantes, como a relação de quase rivalidade com o Nirvana, o impacto da morte de Kurt Cobain, o desastre que foi sua performance na estreia do filme Vida de Solteiro, com todos tocando bêbados, e a briga judicial com a empresa Ticketmaster, pelos altos preços que cobravam pelos ingressos. A tragédia do Festival Roskilde de 2000, na Dinamarca, constitui um capítulo a parte, pela importância que teve como divisor de águas na história da banda. Na correria para o show do Pearl Jam, nove jovens foram pisoteados até a morte. A dor que recaiu sobre a banda - como se percebe pelas filmagens do rosto de Eddie Verder no momento da notícia, ainda no palco, exibido no telão do festival – foi extremamente relevante para o novo momento do grupo, que passou a repensar o que faziam e por que. Em contrabalanço às controvérsias, também são mencionadas as participações do grupo com questões sociais e politicas, como a oposição a George W. Bush, o apoio aos movimentos pró-escolha e à preservação do meio-ambiente.

É bem claro que o filme é feito para a banda e para os fãs, mas num ritmo que agrada também aos não iniciados. Não há muito foco em qualquer parte da vida pessoal dos integrantes, qualquer menção a esposas e filhos, e uma mínima menção à doença de Crohn do guitarrista Mike McCready, mas apenas para contextualizar o mau momento pelo qual passou na época do álbum Binaural. Não há qualquer outro depoimento de alguém que não seja da banda, com a exceção Chris Cornell. Apesar disso, a narrativa do filme é bem construída, com ótimas sequências de apresentações dos seus maiores hits, como “Alive”, “Why Go”, “Black” e “Better Man”. São cenas de shows marcantes para a história do grupo, incluindo gravações incríveis dos momentos em que Eddie Verder se pendurava no teto, a 15 metros do chão, e se jogava na plateia. Outro momento, até divertido, é a cena em que Stone Gossard encontra um Grammy no porão de sua casa, esquecido numa estante do fundo, o que demonstra claramente a má relação da banda com o prêmio e o que ele representa.

No seu todo, a produção exibe a preocupação do Pearl Jam em fazer o que querem do jeito que querem. Desde o início, a banda se mostra extremamente original. Apesar de inúmeras influências, como Jimi Hendrix, Jimmy Page, The Who, e até mesmo uma parceria com Neil Young, com quem contribuíram no álbum Mirror Ball, a banda se mantém sempre autêntica, fiel ao que se propusera em 1990. E é essa fidelidade, aos ideais do grupo e aos fãs, que a produção deseja passar ao espectador: os acontecimentos e desafios que levaram o Pearl Jam ao patamar que se encontra hoje na indústria fonográfica e na história da música.

Artista: Pearl Jam
Obra: Pearl Jam Twenty (2011)
Direção: Cameron Crowe
Distribuição: Sony
Preço: R$ 59,90

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